Ao longo de um mês nos encontramos e conversamos por meio de plataformas virtuais (Whatsapp, Instagram), gravando nossas conversas que trataram da possibilidade de um buraco virtual - há um escape da disponibilização? - de uma gravação inacabada, deixando espaço para um espectador entrar? Para construirmos esse espaço, nos encontramos no final desse período em diferentes Lives no Instagram. Editando o material que tínhamos gerado ao vivo, percebemos que é só em retrospectiva, que percebemos esse espaço comum. Não conseguimos marcar um horário comum, já que o fuso horário gera dois locais diferentes. Entra a vida com os compromissos que impedem que fiquemos produzindo por quanto tempo que quisermos. O momento se polariza entre um tarde - ou cedo-de-mais. Encontramos uma encruzilhada - uma vez por semana, por uma hora, para atravessarmos espelhos e entrarmos em buracos. Essa encruzilhada se tornou nossa proposta. Fica o desejo de propor algo nesse momento (contra ele?) de crise. Mas não faz parte dessa crise, que como artistas, nos apropriamos de horrores para convertê-los? E o fato: nos exploramos para conseguirmos tempo em meio a nossas vidas sobrecarregadas para continuarmos produzindo. O que queremos realmente salvar – do que sentimos falta: é de sentar lá sem falar nada e tomar um suco com a Aurora, e com a Juma claro, sentimos saudades; também de bater um papo com o Rodrigo. Entra a vida novamente – corta. Então vamos – já que reservamos essa hora de nossos dias – aproveitar e bater papo. Nada mais. E: nada menos. Evidentemente surpreende, quando encontramos outras pessoas, já esperando poderem participar da conversa. Já não importa, se o espelho mostra um narciso, porque vendo ele, já caiu e está nessa viagem alice-iana, no processo de um buraco que te escava… Tem um pé lá nessa foto, que talvez seja seu. Vai lá confirmar se não perdeu, ou se não é mesmo do saci.
Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=doPqq9HcC4A